Por Que Deus Perdoou Davi E Rejeitou Saul?

“Então disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás.” (1 Samuel 12:13).

Introdução

Muitos cristãos não consideram o alerta do irmão Tiago com relação ao ofício de mestre quando no exercício de um ministério. Parece ser de somenos importância alguém se postar diante da igreja, na posição de mestre, propondo ensinar aos demais doutrinas e questões bíblicas.

O irmão Tiago era conhecedor da responsabilidade que recai sobre os mestres, tanto que ele se inclui no alerta para se evidenciar mestre, destacando que os mestres ‘receberão mais duro juízo’.

Apesar do alerta, em nossos dias sobejam ‘mestres’, pessoas avidas por engajamento em redes sociais, que abordam temas polêmicos somente para potencializar o alcance de suas próprias impressões, sem qualquer embasamento bíblico.

Não menos perigoso é a boa vontade de pessoas bem intencionadas, que mesmo desconhecendo os fundamentos do evangelho, se propõe ensinar as Escrituras.

É dever do cristão ter prontidão de espírito para ser ensinado, ou seja, ouvir, o que não se requer com relação a ensinar:

“Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tiago 1:19).

Essa instrução de Tiago tinha um motivo específico: cortar ocasião aos judaizantes, pois muitos deles se introduziam entre os cristãos e, como era mestres da lei, se achavam aptos a ensinarem os cristãos.

“Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam.” (1 Timóteo 1:7).

Em nossos dias, para muitos cristãos, certos aspectos do judaísmo parecem não oferecer perigo ao cristianismo, mas o risco de desvirtuar verdades bíblicas é grande e não deve ser ignorado.

Entretanto, temos um outro risco que ronda os cristãos: o engajamento de neófitos que em busca de projeção, são alçados à condição de mestres por serem detentores de fama, ou por ter uma formação acadêmica, ou ainda, por exercerem determinadas profissões. Muitos desses neófitos se consideram capacitados a serem mestres do evangelho.

“Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.” (1 Timóteo 3:6).

 

É possível mensurar qual pecado é mais gravoso?

Do ponto de vista da lei, não há qualquer distinção entre ‘pecados’, se esse ou aquele é mais ou é menos grave.

O irmão Tiago deixa claro que se alguém tropeça em um único quesito da lei, torna-se transgressor de toda lei.

“Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei.” (Tiago 2:10-11).

Na lei não havia ordenança mais grave ou menos grave. Um só tropeço em qualquer ponto da lei tornava o transgressor culpado de todos os quesitos da lei.

Se as Escrituras protestavam contra os judeus como blasfemos, certo é que todos eles eram transgressores da lei. Como as Escrituras apontavam que o nome de Deus era blasfemado por causa dos filhos de Israel, todos tropeçaram em um ponto da lei, portanto, todos eram igualmente homicidas, roubadores, parricidas, idolatras, etc.

“Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós.  Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão.” (Romanos 2:21-25);

“E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o SENHOR, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o SENHOR; e o meu nome é blasfemado incessantemente o dia todo.” (Isaías 52:5).

Como o povo de Israel era transgressor, ou seja, não era constituído de pessoas justas, foi dada a lei com objetivo especifico de evidenciar que os filhos de Israel eram transgressores!

“Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina,” (1 Timóteo 1:9-10);

“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro.” (Gálatas 3:19).

Em outras palavras, o apóstolo Paulo destacou que a lei foi feita especificamente para os judeus, de modo a evidenciar que por eles não conseguirem cumprir todos os quesitos da lei, visto que sempre tropeçavam em um quesito, isto significa que todos os judeus eram injustos, obstinados, ímpios, pecadores, profanos , irreligiosos, etc.

Abraão foi justificado por Deus porque cumpriu todos os mandamentos de Deus. Como foi possível Abraão cumprir os mandamentos, os preceitos, os estatutos e as leis divinas? Crendo na palavra de Deus! Ao crer na promessa do descendente, Abraão obedeceu a voz de Deus!

“Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis.” (Gênesis 26:5).

A lei veio muito tempo depois somente para indicar que os filhos de Israel não eram filhos de Deus, ou seja, que não eram filhos de Abraão.

“Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é.” (Deuteronômio 32:5).

Se os filhos de Israel quisessem ser filhos de Abraão teriam que ter a mesma fé que Abraão: crer na promessa do descendente, que é Cristo, e essa fé na promessa lhes seria imputada por justiça. Entretanto, os filhos de Jacó preferiram confiar em si mesmos, fazendo da carne de Abraão a sua força (salvação), e apartaram-se de Deus.

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!”  (Jeremias 17:5).

Que ação é mais grave diante de Deus: um homicídio ou oferecer sacrifício? Diante de Deus não há diferença!

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.” (Isaías 66:3).

Por que quem oferece sacrifício oferecendo um boi é como quem pratica um homicídio? Porque aquele que se propõe sacrificar somente segue os seus próprios caminhos, pois Deus nunca exigiu sacrifícios dos filhos de Israel.

“Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.” (Jeremias 7:22);

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.” (Isaías 1:11);

“GUARDA o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.” (Eclesiastes 5:1).

Engana-se quem acha que alguém que não mata, não rouba, não se prostitui, jejua, dá o dizimo de tudo que possui, etc. (Lucas 18:11), é menos pecador que um homicida. Nem este e, nem aquele, são considerados um em reação ao outro em condição diferente diante de Deus.

O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão.” (Miquéias 7:4).

Desde que foram tirados do Egito, Deus concitou os filhos de Israel que confiassem na providência divina, tendo em vista a promessa feita a Abraão de que o descendente prometido viria da casa de Israel, especificamente da tribo de Judá, e que nele todas as famílias da terra seriam benditas.

Entretanto, os filhos de Israel não confiaram na proteção divina, e diante de qualquer percalço, murmuravam de Moisés e desconfiavam de Deus. Por causa da incredulidade do povo, Deus resolveu prova-los enviando o maná, e os filhos de Israel foram reprovados, visto que não obedeceram a palavra do Senhor.

“Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. (…) Então disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?” (Êxodo 16:4).

Como não obedeceram a palavra de Deus anunciada por intermédio de Moisés acerca do maná, Deus novamente concita o povo a obedece-lo, só que dessa vez, todos ouviriam a voz de Deus quando Ele falasse com Moisés.

Mas, quando o povo se posicionou para ouvir o que Deus ia falar com Moisés, o monte passou a fumegar, e raios e trovões saíram das densas nuvens, e os israelitas, com medo, fugiram da presença do Senhor. Foi quando os filhos de Israel pediram a Moisés que Deus não falasse com eles, pois tinham medo de morrer.

“E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis.” (Êxodo 20:18-20).

O propósito de Deus sempre foi fazer bem a Israel por causa do descendente prometido a Abraão, mas quando Deus os provava, humilhando-os, em vez de os filhos de Israel confiarem naquele que é a vida, reputavam que Deus queria extermina-los. Por não quererem ouvir a voz de Deus que era para a vida, os filhos de Israel permaneceram mortos em seus pecados.

“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. Que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no fim te fazer bem;” (Deuteronômio 8:2-3 e 16).

O objetivo de ‘humilhar’ é fazer os filhos de Israel servos, e é através da prova que se verifica se os filhos de Israel eram obediente como foi Abraão. Abraão foi obediente quando Deus requereu o seu único filho, mas Israel foi desobediente quando Deus lhes deu pão dos céus a comer.

 

O pecado de Saul foi pior que o pecado de Davi?

Com base na exposição acima, ficou demonstrado que não há diferença de pecado diante de Deus, no entanto, em meio aos cristãos, há um questionamento sobre o porquê Deus desistiu de Saul, mas não desistiu de Davi, considerando a gravidade das ações de Davi.

Vários pastores, preletores, doutores, teólogos, etc., fazem indagações a respeito e, muitos acabam apresentando respostas descabidas.

Circula na internet trecho de um vídeo atribuído à Pra. Tânia Tereza Carvalho, que começa com a seguinte pergunta: “Por que Deus desistiu de Saul, e não desistiu de Davi”. E, em seguida, a preletora complementa a pergunta com uma impressão pessoal: “O pecado de Saul parece tão pequeno perto do pecado de Davi.” O Pr. Rodrigo Sant’Anna, em uma pregação de 2019, afirmou que “teologicamente, até parece que Saul cometeu menos erros que Davi”.

Deus desistiu de Saul? Jamais! Deus jamais desiste de alguém (Ezequiel 18:23).

O problema apresentado decorre de má análise do texto bíblico, pois o que está em voga é o reinado de Saul, e não a salvação Saul. Deus desistiu de dar o reino de Israel a Saul, passando a alguém melhor que Saul, ou seja, a Davi.

Como Deus tirou o reino de Saul e passou a Davi, mesmo que Saul se arrependesse, não teria o reino de volta, pois não haveria lugar de arrependimento para essa questão.

“Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou.” (Hebreus 12:17).

A condição de Saul com relação ao reino é idêntica a de Esaú! Entre Jacó e Esaú, a questão abordada pelo texto é o direito de primogenitura, e entre Davi e Saul, a questão é o reino de Israel. Observe que a questão não se refere a salvação, pois a salvação se dá em outros termos.

Quando nasceram as duas crianças de Isaque e Rebeca, Esaú e Jacó, a questão da primogenitura não foi resolvida no parto, visto que as crianças nasceram ligadas. Como não houve interrupção durante o parto, a questão da primogenitura estava sendo resolvida somente pelo fato de Esaú saiu primeiro, e pela preferência de Isaque.

Quando Esaú vendeu o direto de primogenitura por um prato de lentilha, a questão da primogenitura foi resolvida. Ao ver Jacó sendo abençoado, Esaú se arrependeu da venda, e mesmo buscando o direto com choro, já não tinha como ser atendido. É impossível existirem dois primogênitos ao mesmo tempo! Portanto, quando a questão foi resolvida por negociação entre Esaú e Jacó, não havia como ser desfeita. Mesmo que Jacó se propusesse vender, não teria como desfazer o que havia alcançado, e mesmo com o arrependimento com choro por parte de Esaú, também não tinha como ser alterada a questão.

“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó,” (Malaquias 1:2).

Deus tinha preferencia por Jacó assim como Isaque tinha preferencia por Esaú, ao dizer amei Jacó’? Não! O versículo evidencia que, embora Esaú e Jacó fossem irmãos, filhos de Isaque e descendentes da carne de Abraão, todavia Deus deu o que era de direito a Jacó (amei Jacó), por causa da primogenitura, e desprezou Esaú, visto Esaú não ter direito a bênção.

O direito era de Jacó, e Deus não podia tirar o direito de Jacó e passar a Esaú, pois seria um ato de injustiça.

“Esaú, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai. E ele disse: Veio teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção.  (…) E disse Esaú a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou.”  (Gênesis 27:34-35 e 38).

Ao vender o seu direito, Esaú achou que era uma questão de somenos importância. Esaú perdeu a benção de primogênito, e a linhagem do Descendente prometido a Abraão, passou a ser a linhagem de Jacó.

O evento entre Esaú e Jacó foi utilizado pelo apóstolo Paulo para demonstrar que para ser filho de Abraão não basta ser descendente da carne de Abraão, antes é necessário ter a mesma fé que o crente Abraão: crer no Descendente.

No evento de Esaú e Jacó a discussão não é sobre salvação, e sim, sobre primogenitura. Esaú perdeu a primogenitura, e não podia alcançá-la, mesmo com arrependimento, mas não significa que havia perdido a salvação. A salvação é dada a todos quantos obedecem a Deus crendo no Descendente prometido e, com relação a salvação, sempre haverá lugar de arrependimento para quem quer que seja, desde que seja antes de descer à campa fria.

As questões entre Saul e Davi são semelhantes a de Esaú e Jacó, com uma diferença: com relação a estes o que estava em voga era a primogenitura, e com relação aqueles, o trono de Israel.

“Porque o SENHOR revelara isto aos ouvidos de Samuel, um dia antes que Saul viesse, dizendo: Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim. E quando Samuel viu a Saul, o SENHOR lhe respondeu: Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará sobre o meu povo.” (1 Samuel 9:15-17).

Ao escolher Saul como rei, Deus anunciou por intermédio de Samuel alguns sinais que ocorreriam, de modo que Saul pudesse crer na palavra do Senhor.

Saul saiu da presença de Samuel e lhe ocorreu o que foi anunciado pelo profeta, tudo em um mesmo dia:

  1. acharás dois homens junto ao sepulcro de Raquel, no termo de Benjamim, em Zelza;
  2. chegares ao carvalho de Tabor, ali te encontrarão três homens, que vão subindo a Deus a Betel;
  3. chegarás ao outeiro de Deus, onde está a guarnição dos filisteus; e há de ser que, entrando ali na cidade, encontrarás um grupo de profetas que descem do alto (1 Samuel 10:2 -5).

Os três sinais ocorridos eram prova de que Deus estava com Saul em tudo que intentasse fazer.

“E há de ser que, quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão, porque Deus é contigo.” (1 Samuel 10:7).

Mas, havia uma determinação:

“Tu, porém, descerás antes de mim a Gilgal, e eis que eu descerei a ti, para sacrificar holocaustos, e para oferecer ofertas pacíficas; ali sete dias esperarás, até que eu venha a ti, e te declare o que hás de fazer.” (1 Samuel 10:8).

Após o cumprimento dos sinais, Saul foi coroado rei sobre Israel por intermédio de Samuel (1 Samuel 10:17-27), e logo em seguida, Saul livrou os filhos de Israel das mãos dos amonitas (1 Samuel 11:1-15).

Em seguida, Samuel reúne o povo e resigna o seu cargo, aponta o erro de Israel em ter pedido um rei para si como as nações vizinhas, rejeitado a Deus como Senhor e Rei (1 Samuel 11:17).

Durante o segundo ano de reinando de Saul sobre o povo de Israel, Jônatas, filho se Saul, feriu uma guarnição de filisteus, dando início a uma guerra (1 Samuel 13:1-3).

Conforme predito por Samuel, Saul desceu primeiro a GIlgal, pois o povo se reuniu após Saul para a batalha iminente. Saul esperou por sete dias, segundo o prazo dado por Samuel. Mas, como Samuel demorou a chegar, o povo começou a se dispersar, e Saul, receoso, resolveu oferecer holocausto sem a presença de Samuel.

Após terminar de oferecer holocausto, Samuel chegou conforme a palavra do Senhor, e Saul foi repreendido pela desobediência.

“Então disse Samuel: Que fizeste? Disse Saul: Porquanto via que o povo se espalhava de mim, e tu não vinhas nos dias aprazados, e os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, Eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda à face do SENHOR não orei; e constrangi-me, e ofereci holocausto. Então disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o SENHOR teu Deus te ordenou; porque agora o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o SENHOR, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou.” (1 Samuel 13:11-14).

Caso houvesse obedecido a palavra de Deus, o reino de Israel seria confirmado para sempre com Saul. O que Deus tirou de Saul ainda não tinha sido confirmado por Deus, o que ocorreria se ele tivesse esperado Samuel por exatos sete dias. Observe que a questão que estava sendo tratada estava relacionada ao reino, e não com relação a salvação.

Se Saul tivesse se armado do mesmo pensamento de seu Filho Jônatas, não haveria inimigo que subsistiriam diante dele (1 Samuel 10:7), mas não agiu de modo valoroso. Saul podia fazer tudo que estivesse ao seu alcance, visto que Deus era com Ele, mas com relação a Gilgal, deveria se resignar e esperar o profeta Samuel.

“Disse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o SENHOR por nós, porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.” (1 Samuel 14:6).

Além de ter agido mal oferecendo holocausto sem a presença de Samuel, em momento crucial para o exercito de Israel, que é se preparar para batalha, Saul fez um voto determinando que os filhos de Israel ficassem sem comer.

“E estavam os homens de Israel já exaustos naquele dia, porquanto Saul conjurou o povo, dizendo: Maldito o homem que comer pão até à tarde, antes que me vingue de meus inimigos. Por isso todo o povo se absteve de provar pão.” (1 Samuel 14:24).

A confiança de Jônatas em Deus foi providencial, mas a loucura de Saul trouxe rotura em Israel.

“Então disse Jônatas: Meu pai tem turbado a terra; ora vede como se me aclararam os olhos por ter provado um pouco deste mel, quanto mais se o povo hoje livremente tivesse comido do despojo que achou de seus inimigos. Porém agora não foi tão grande o estrago dos filisteus. Feriram, porém, aquele dia aos filisteus, desde Micmás até Aijalom, e o povo desfaleceu em extremo. Então o povo se lançou ao despojo, e tomaram ovelhas, e vacas, e bezerros, e os degolaram no chão; e o povo os comeu com sangue.” (1 Samuel 29-32).

Ao perceber que teria de cumprir o seu voto para não cair em descredito, Saul intentou tirar a vida de seu próprio filho, mas foi impedido pelo povo.

“Então disse Saul: Lançai a sorte entre mim e Jônatas, meu filho. E foi tomado Jônatas. Disse então Saul a Jônatas: Declara-me o que tens feito. E Jônatas lho declarou, e disse: Tão-somente provei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão; eis que devo morrer? Então disse Saul: Assim me faça Deus, e outro tanto, que com certeza morrerás, Jônatas. Porém o povo disse a Saul: Morrerá Jônatas, que efetuou tão grande salvação em Israel? Nunca tal suceda; vive o SENHOR, que não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça! pois com Deus fez isso hoje. Assim o povo livrou a Jônatas, para que não morresse.” (1 Samuel 14:42-45).

Mas, apesar da desobediência de Saul, Deus lhe deu uma nova oportunidade para salvar o seu reinado. A primeira desobediência se deu em um momento de aperto, o que poderia afetar sobre maneira a decisão de quem está sendo provado.

O novo mandamento possui um novo aspecto: Saul não estava em aperto, antes tinha domínio completo da batalha. No mandamento anterior Saul tinha que confiar na providência divina, agora possuía homens de guerra e somete tinha que cumprir à risca o que foi determinado.

“ENTÃO disse Samuel a Saul: Enviou-me o SENHOR a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois, agora a voz das palavras do SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.” (1 Samuel 15:1-3).

Na ordem antiga o povo estava se escondendo e fugindo da batalha, agora, para cumprir a nova ordem, Saul tinha à disposição duzentos mil homens, e dez mil homens de Judá (1 Samuel 15:4).

Mas, enquanto cumpria a ordem do Senhor, Saul quis lucrar. Ao poupar Agague, rei dos amalequitas, Saul intentou firmar o seu prestigio diante do povo. Ao trazer consigo o rei Agague subjugado, bem como ao poutar o melhor das ovelhas e das vacas para agradar o povo, Saul queria ser aclamado em alto estilo, já que aquela missão era para sua unção como rei.

O desejo de ser ovacionado diante do povo era tamanho que ao encontra Samuel, Saul declara que obedeceu a ordem do Senhor à risca.

“Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do SENHOR; cumpri a palavra do SENHOR.” (1 Samuel 15:13).

Ao ser repreendido, reafirmou que andara pelo caminho que Deus o enviou, e acrescentou dois detalhes:

“Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos à voz do SENHOR, e caminhei no caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente; Mas o povo tomou do despojo ovelhas e vacas, o melhor do interdito, para oferecer ao SENHOR teu Deus em Gilgal.” (1 Samuel 15:20-21).

Trazer Aguage, para Saul, era questão de somenos importância, sem falar que atribuiu ao povo a responsabilidade de ter tomado do despojo ovelhas e vacas.

A repreensão de Deus é severa e ecoa como lição até os dias de hoje:

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (1 Samuel 15:22-23).

Deus se apraz daquele que obedece a sua palavra, e por isso, ao dar os dez mandamentos, disse:

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.” (Êxodo 20:6).

A obediência ao mandamento de Deus é superior, e não pode ser substituída. A obediência por parte do homem é melhor que sacrifícios, e o atender a voz de Deus é melhor que o que se pode oferecer em holocaustos. O rebelar-se contra a ordem de Deus se assemelha a feitiçaria, e permanecer em seus próprios caminhos se compara a idolatria!

“Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2:30).

Deus desprezou Saul? Não! Na verdade, Saul desprezou o Senhor ao não obedecê-lo, de modo que Deus não podia honrá-lo concedendo o trono de Israel.

Por ter rejeitado a palavra de Deus, naquele dia Deus rejeitou Saul como rei em Israel. Observe que a rejeição estava atrelada ao cargo de rei, o que não significa que Saul não pudesse alcançar a salvação. Com relação a ser rei não cabia mais se arrepender dos seus caminhos, mas se invocasse ao Senhor, como qualquer outro pecador, seria salvo.

“Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” (Ezequiel 18:23).

E o pecado de Davi? Ora, Davi foi escolhido por Deus para ser rei em Israel e esperou por aproximadamente dezoito anos a sua coroação. Após a morte de Saul e Jonatas, Davi foi aclamado rei de Judá (2 Samuel 2:4). Perceba que Davi, enquanto vivia Saul, não fez nenhum movimento para lançar mão do reino por conta própria.

Após longa luta de Davi contra a casa de Saul, os filhos de Israel vieram a Hebrom e o constituíram rei sobre todo Israel, segundo a palavra que Deus havia anunciado.

“ENTÃO todas as tribos de Israel vieram a Davi, em Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne. E também outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel, e tu serás príncipe sobre Israel. Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, em Hebrom; e o rei Davi fez com eles acordo em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram a Davi rei sobre Israel. Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.” (2 Samuel 5:1-4).

Passado o tempo, Deus confirmou o reino a Davi, com as seguintes palavras:

“E desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel; a ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que te fará casa. Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.” (2 Samuel 7:11-16).

Deus estabeleceu Davi sobre o trono de Israel, e deixou registrado que o descendente de Davi seria filho de Deus, de modo que a casa e o trono de Davi seria firme para sempre. Promessa irrevogável!

Algum tempo depois, Davi sendo rei, deitou-se com Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu (2 Samuel 11:4), e ao saber que Bate-Seba estava grávida, deu ordem para que Urias fosse colocado na linha de frente da batalha para que morresse (2 Samuel 11:15).

O erro de Davi foi gravíssimo, mas diferentemente de Saul, Davi não tinha como perder o reino. Saul, pela sua ofensa, perdeu o reino, e Davi, apesar de sua ofensa, não tinha como perder o reino que anteriormente lhe fora confirmado para sempre.

“As benignidades do SENHOR cantarei perpetuamente; com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração. Pois disse eu: A tua benignidade será edificada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo: Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração.” (Salmos 89:1-4).

Mas, isso significa que Davi ficou impune? Não! Deus estabeleceu um castigo na medida do seu erro.

“Porque, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.” (2 Samuel 12:9-12).

O pecado de Davi foi perdoado, mas as consequências não foram anuladas!

“Então disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás. Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá. Então Natã foi para sua casa; e o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.” (1 Samuel 12:13-15).

Davi admitiu que pecou contra Deus, e foi informado de imediato que Deus lhe perdoara. O perdão decorre da admissão do pecado? Não! O perdão decorre da confiança que Davi depositou em Deus, que cerca de misericórdia os que confiam n’Ele.

“O ímpio tem muitas dores, mas àquele que confia no SENHOR a misericórdia o cercará.”  (Salmos 32:10);

“Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai, e o SENHOR seja contigo. (…) Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel; E saberá toda esta congregação que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão.” (1 Samuel 17:37 e 45-47).

Davi não fez caso da sua própria vida ao aceitar o desafio dos filisteus confiado na providencia divina. Quando o profeta Natã trouxe a mensagem divina acerca do Descendente de Davi, e Davi creu na bênção e orou a Deus louvando pela verdade anunciada.

“Então entrou o rei Davi, e ficou perante o SENHOR, e disse: Quem sou eu, Senhor DEUS, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? E ainda foi isto pouco aos teus olhos, Senhor DEUS, senão que também falaste da casa de teu servo para tempos distantes; é este o procedimento dos homens, ó Senhor DEUS? E que mais te pode dizer ainda Davi? Pois tu conheces bem a teu servo, ó Senhor DEUS. Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza; fazendo-a saber a teu servo. Portanto, grandioso és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos. E quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo, para fazer-te nome, e para fazer-vos estas grandes e terríveis coisas à tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egito, desterrando as nações e a seus deuses? E confirmaste a teu povo Israel por teu povo para sempre, e tu, SENHOR, te fizeste o seu Deus. Agora, pois, ó SENHOR Deus, esta palavra que falaste acerca de teu servo e acerca da sua casa, confirma-a para sempre, e faze como tens falado. E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: O SENHOR dos Exércitos é Deus sobre Israel; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti. Pois tu, SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, revelaste aos ouvidos de teu servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Portanto o teu servo se animou para fazer-te esta oração. Agora, pois, Senhor DEUS, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem. Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo.” (2 Samuel 7:18-29).

Davi, assim como Abraão, creu na promessa divina, e por isso, foi justificado. Davi poderia perder a salvação por ter cometido tais pecados? Não! Davi somente perderia a salvação se deixasse de confiar que Deus cumpriria a boa palavra anunciada acerca da casa de Davi.

O erro de Davi deu azo para que o nome de Deus fosse blasfemado pelos seus inimigos, mas não tiraria a salvação de Davi. E por isso mesmo, Deus estabeleceu que, mesmo que o descendente viesse a transgredir, seria açoitado com açoites de homens. Esse quesito pertinente ao Descendente, também se aplicava ao rei Davi (2 Samuel 7:14).

Diferente de Saul, Davi reconhecesse o seu erro ao ser repreendido. Diferente de Saul, Davi confiava continuamente em Deus. Saul era obstinado, ou seja, um feiticeiro e idolatra por não obedecer a palavra do Senhor, mas, nunca confiou plenamente no Senhor. Davi, além de confiar em Deus, quando repreendido, reconheceu o erro e resignou-se a sofrer a penalidade imposta.

Considere este princípio:

“Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.”  (Romanos 11:29).

A primogenitura e o trono de Israel se enquadram em dons e vocação, portanto, são irrevogáveis! Observe que dons e vocação apontam diretamente para o descendente prometido a Abraão, pois Cristo é o primogênito de Deus com uma posição mais elevada que os reis da terra.

“Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89:26-27).

O povo de Israel pecou muitas vezes, mas por causa dos pais, ou seja, o que foi prometido a Abraão e a Davi, a benevolência de Deus jamais se apartara da nação de Israel.

“Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.” (Romanos 11:28)

Mesmo que muitos de Israel pereceram e não foram salvos por causa da incredulidade, os dons e a vocação permanecem sobre a nação por ser descendência dos pais, pois disto dependia a vinda de Cristo ao mundo, e no futuro, o cumprimento da promessa de Cristo se assentar sobre o trono de Davi.

 

A onisciência divina e os pecados de Saul e Davi

Quando ouvimos uma pregação, a nossa obrigação como crentes em Cristo, é fazer como os bereanos.

“E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (Atos 17:10-11).

É de bom alvitre analisar as mensagens se elas procedem de Deus ou não!

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.” (1 João 3:1-3).

Um falso profeta precisa ter a intenção de ser um falto profeta? Muitas das vezes não! Basta não compreender as coisas de Deus para ser um inimigo de Deus.

“Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” (Mateus 16:23).

A Pra. Pastora Tânia, na sua pregação, afirma que Deus ordenou a Samuel para não orar por Saul, pois a oração não seria atendida. Na verdade, Deus questiona Samuel porque ainda tinha dó de Saul, ou seja, ainda chorava por ele, o que é diferente de orar.

“E nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porque Samuel teve dó de Saul. E o SENHOR se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel. Então disse o Senhor a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche o teu vaso de azeite, e vem; enviar-te-ei a Jessé o belemita, porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei.” (1 Samuel 15:35 e 16:1);

Entretanto, o erro principal da pregação está no argumento arminianista, de que Deus é conhecedor de todas as coisas (onisciente), e por isso, rejeitou Saul e aceitou Davi, isto porque Deus anteviu o arrependimento de Davi, chorando e escrevendo o Salmo 51, mas não viu o arrependimento de Saul.

Após o argumento acima, foi feita a seguinte citação:

“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.” (Lamentações 3:22-23).

As misericórdias das Lamentações de Jeremias refere-se a promessa de Deus feita a Abraão, tanto que, tal misericórdia não alcançou a pessoa de Saul com relação a permanecer com o reino de Israel. É por causa dessa misericórdia que Deus jurou que o trono de Davi seria firmado para sempre, segundo a grandeza da fidelidade de Deus.

É um equívoco achar que o Salmo 51 tem relação com os erros comportamentais de Davi, pois o perdão de Deus foi concedido de imediato após ele reconhecer o seu erro. Apesar de Deus se conhecedor de todas as coisas, como passado, presente e futuro, Davi foi perdoado por ter reconhecido o seu erro, e não porque anteviu Davi escrevendo o Salmo 51

“Então disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR perdoou o teu pecado; não morrerás.” (1 Samuel 12:13).

O Salmo 51 é profético com objetivo de ensinar, redarguir, corrigir e instruir em justiça, evidenciando que todos os homens, não importa se judeus ou gentios, são concebidos em pecado.

“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmo 51:5).

O Salmo 51 trata do processo da redenção, pois a realidade do pecado afetou todos os homens, e por isso, todos precisam reconhecer que são pecadores e que precisam clamar a Deus por misericórdia, pois só Deus pode purificar o homem do pecado.

“Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor DEUS. Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço. Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei.” (Ezequiel 18:30-32).

É possível aos homens lançarem de si as suas transgressões? É possível aos homens fazerem um coração novo e um espírito novo? Não! Ora, o salmista demonstra no Salmo 51 que o impossível aos homens basta pedir a Deus:

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.” (Salmos 51:10; Ezequiel 36:26-27).

As questões envolvendo Saul e Davi são completamente diferentes da questão abordada no Salmo 51. O Salmo 51 ensina como o homem pecador tem acesso a misericórdia de Deus, enquanto as histórias de Saul e Davi evidenciam que a vocação de Deus é irrevogável.

As histórias de Saul e Davi revelam que ambos foram escolhidos para serem reis em Israel, sendo que Saul não obedeceu a voz do Senhor e não confirmou o seu reino, e Davi, por obedecer a voz de Deus, confirmou o seu reino, de modo que, na casa de Davi foi estabelecido um reino perpétuo.

“Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o SENHOR, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou.” (1 Samuel 13:14).

E como é o homem segundo o coração de Deus? O homem que obedece a aquilo que Deus ordena.

“Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.”  (Salmos 34:18);

“Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51:17);

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.” (Isaías 57:15).

O abatido, ou o contrito refere-se àquele que obedece (treme) a palavra de Deus. Os pobres de espírito são homens segundo o coração de Deus, e por isso mesmo são dignos do reino dos céus.

“Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” (Isaías 66:2);

Geralmente algumas pessoas pontuam que o homem segundo o coração de Deus é aquele que se arrepende. Se o arrependimento considerado se refere ao homem abandonar os seus próprios caminhos, diz do verdadeiro arrependimento, mas se o arrependimento proposto se refere somente a uma mudança comportamental, decorrente da moral humana, trata-se de um arrependimento falso.

“… também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.” (Isaías 66:3).

No Novo Testamento a ordem é arrepender-se (metanoia), e o motivo é claro: é chegado o reino dos céus, ou seja, Cristo é o motivo da mudança de entendimento (arrependimento) operada no homem (Mateus 3:2). Mas, muitos entendem que o motivo do arrependimento é o erro, ou seja, se alguém cometeu um deslize, que se arrependa.

O arrependimento é necessário a todos os homens, independente de terem cometidos erros ou não. O arrependimento verdadeiro visa mudar a seguinte realidade pertinente a todos os homens:

“Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.” (Salmo 58:3);

“Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um.” (Salmos 53:2-3).

O verdadeiro arrependimento está em não andar no caminho dos filhos de Israel, que diziam que para ser salvo era necessário ser descendente da carne de Abraão, e nem obedecer ao que eles obedeciam (Ezeqielm20:18-19), pois o temor deles consistia em mandamentos de homens.

“Porque assim o SENHOR me disse com mão forte, e me ensinou que não andasse pelo caminho deste povo, dizendo: Não chameis conjuração, a tudo quanto este povo chama conjuração; e não temais o que ele teme, nem tampouco vos assombreis. Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém.” (Isaias 8:11-14; 1 Pedro 3:14);

“Porque não executaram os meus juízos, e rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sábados, e os seus olhos iam após os ídolos de seus pais. Por isso também lhes dei estatutos que não eram bons, juízos pelos quais não haviam de viver;” (Ezequiel 18:24-25).

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído;” (Isaías 29:13).

Através do evangelho fica evidenciado que Cristo é o Senhor dos Exércitos, e que santificar a Cristo como Senhor constitui o verdadeiro arrependimento. Enquanto Cristo seria pedra de tropeço as duas casas de Israel, para os que creem Cristo é o santuário, a casa de oração para todos os povos.

“E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.” (Marcos 7:6-8).

A escolha de Davi como rei de Israel, bem como a rejeição de Saul, tem em vista o propósito de Deus de abençoar através do Descendente de Abraão, que é Cristo, todas as famílias da terra. Por isso, Cristo é apresentado como filho de Davi, filho de Abraão (Mateus 1:1), o descendente de Davi, o Leão da Tribo de Judá (Romanos 1:3), segundo o concerto que Deus fez com o rei Davi.

O concerto que Deus estabeleceu foi muito antes de Davi pecar, sendo que Deus, apesar de onisciente, não levou em conta o futuro desvio de conduta de Davi. Já os erros de Saul ocorreram antes de Deus ter confirmado o trono de Saul, o que possibilitou a rejeição.

Isto significa que a escolha de Davi e a rejeição de Saul não teve em vista os erros de ambos, ou o arrependimento deles. A eleição de Deus tem um critério bem objetivo:

“Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),” (Romanos 9:11).

Quando Deus chamou Saul e depois Davi, o critério da eleição não tinha o bem ou o mal que haveriam de fazer quando fossem rei. Na verdade, a eleição de ambos visava o propósito de Deus, portanto, não podia depender das obras de ambos.

Como o propósito de Deus segundo a eleição é firme, Deus anunciou que o reino de Davi seria eterno, e Davi, por sua vez creu, assim como o crente Abraão.

“Então entrou o rei Davi, e ficou perante o SENHOR, e disse: Quem sou eu, Senhor DEUS, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? E ainda foi isto pouco aos teus olhos, Senhor DEUS, senão que também falaste da casa de teu servo para tempos distantes; é este o procedimento dos homens, ó Senhor DEUS? E que mais te pode dizer ainda Davi? Pois tu conheces bem a teu servo, ó Senhor DEUS. Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza; fazendo-a saber a teu servo.” (2 Samuel 7:18-21).

Deus firmou uma aliança com a casa de Davi, estabelecendo para sempre a casa (linhagem) e o reino (Israel), restando a Davi crer na irrevogabilidade da palavra de Deus. A eleição de Davi se tornou firme por causa da palavra de Deus estabelecida segundo o conselho da sua vontade, ou seja, a aliança com a casa de Davi não ficou condicionada ao rei Davi não cometer erros.

“Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.” (2 Samuel 7:14-15).

A pergunta inicial sobre os erros de Saul e Davi deveria ser feita no seguintes termos: “Por que Deus concedeu o reino a Davi e retirou o reino de Saul?”, para iniciar uma análise que resulte em uma resposta verdadeira. Uma pergunta com premissas erradas  invariavelmente desembocará em respostas equivocadas. Já uma pergunta formulada corretamente pode evitar que invariavelmente a resposta seja equivoca.

Fonte: Estudo Biblico.org