Onde a Bíblia diz ‘Pois vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor’?

Um Salvador nasceu na cidade de Davi. Minha família memorizou a maior parte de “A Charlie Brown Christmas”. Assistimos todo ano e até falamos sobre as coisas novas que notamos e apreciamos sobre esse clássico.

Em um momento, Charlie Brown pergunta o que o Natal significa, e Linus sobe ao palco, larga seu cobertor de segurança e cita a Bíblia. Essa cena famosa inclui a linha citada acima.

É disso que o Natal se trata.

Mas onde a Bíblia diz essa linha? E o que significa Cristo nascer na cidade de Davi?

Quem diz “Para vós nasceu hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo, o Senhor”?

Na calma noite da Judeia, sob mil estrelas, uma proclamação ecoou pelas colinas que cercavam Belém. O céu se encheu de mensageiros celestiais. Esses arautos eram anjos encarregados de anunciar o evento mais importante da história da Terra.

Os anjos declararam: “Para vós nasceu hoje, na Cidade de Davi, um Salvador que é Cristo, o Senhor.”

Para o céu proclamar tal declaração, imaginaríamos que os anjos seriam enviados a Jerusalém e ao Sumo Sacerdote ou ao Sinédrio, líderes religiosos. Os líderes religiosos judeus conheciam bem a Torá, incluindo todas as profecias sobre o Messias prometido.

Ou talvez os mensageiros sobrenaturais devessem ter trazido esse anúncio ao Rei Herodes e ao seu palácio em Jerusalém. O estabelecimento político precisaria saber desse novo rei. De qualquer forma, falar as boas novas de Jesus do céu sobre Jerusalém poderia alcançar mais pessoas e ter um significado religioso significativo.

Se não Jerusalém, talvez Roma. O Imperador César, que havia exigido o censo, oprimia vários grupos de pessoas. Roma havia conquistado grande parte do mundo conhecido e submetido os judeus a uma cidadania de segunda classe. A declaração angelical em Roma teria ainda mais impacto.

Mas os anjos não apareceram a nenhuma dessas pessoas ou lugares.

A horda angelical revelou essa notícia incrível no meio de um campo nos arredores da pequena cidade de Belém. A mensagem não foi para dignitários ou uma grande população, mas para um punhado de pastores. Pastores pobres, marginalizados e sem muito dinheiro ou poder político ou religioso.

Os pastores se assustaram, uma ocorrência comum quando criaturas celestiais aparecem.

Esses anjos disseram a esses pastores no campo:

“Não temais, eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” (Lucas 2:10-12)

Para uma cultura inteira em busca do Messias vindouro, Deus direcionou seus mensageiros a alguns pastores pobres e marginalizados no meio da noite, em um campo.

O Evangelho detalha a profecia do Messias nascido em Belém citando o livro de Miquéias.

“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Miquéias 5:2)

Essa profecia em Miquéias serve como uma previsão chave do Antigo Testamento sobre o local de nascimento do Messias. Ela enfatiza o status aparentemente humilde de Belém, ao mesmo tempo que destaca sua importância como o local de nascimento de um futuro governante que pastorearia o povo de Israel. Os cristãos interpretam essa profecia como apontando para o nascimento de Jesus Cristo em Belém.

O governante na profecia de Miquéias não é um rei humano normal. Embora da linhagem de Davi, esse novo rei tem origens antigas. Ele vem de um tempo anterior a Davi. Essa frase se conecta a outras profecias messiânicas, como o ramo que surgiria do tronco de Jessé (Isaías 11:1).

Portanto, o uso do termo “Cidade de Davi” pelos anjos carregava um significado duplo. Em um nível, remontava à associação histórica de Belém com o Rei Davi. Em outro nível, apontava para o cumprimento das promessas messiânicas: o nascimento de um Salvador, um descendente de Davi, que pastorearia não apenas os israelitas, mas toda a humanidade. O duplo significado enfatizava a continuidade holística do plano de Deus e como locais aparentemente insignificantes poderiam se tornar lugares de atividade divina.

Embora pequena e discreta, Belém se tornou o palco para a história da salvação se desenrolar.

Os anjos não disseram o nome “Belém”, mas os anjos ouviram “Cidade de Davi” e foram a Belém e a uma manjedoura. Esses pastores não apenas testemunharam o cumprimento de profecias antigas. Eles se tornaram participantes diretos no desenrolar do drama redentor. A “Cidade de Davi” tornou-se uma representação tangível da fidelidade de Deus, onde promessas feitas séculos antes culminaram no nascimento do Salvador.

À medida que os pastores se apressavam para a humilde manjedoura em Belém, eles eram impulsionados pelo assombro e pela expectativa. O termo “Cristo, o Senhor” trazia implicações teológicas profundas enraizadas nos textos messiânicos da Escritura. Por mais inculta que fosse essa cultura de pastores, o ensino messiânico permeava sua cultura. Eles estariam familiarizados com as profecias e promessas do rei vindouro.

Para os pastores, o título “Cristo” significava o Ungido, profetizado para trazer salvação e restauração ao povo de Israel. Sua compreensão do Messias foi moldada por passagens como Isaías 9:6, onde o prometido é descrito como “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Os pastores compreenderam a gravidade do momento: o nascimento do Messias, a aliança de Deus com seu povo cumprida.

O título “Senhor” aumentou ainda mais a significância da proclamação. O Antigo Testamento usava o termo “Senhor” com Deus, significando autoridade divina e soberania. Isso aponta para uma figura que detinha domínio não apenas sobre os reinos terrenos, mas sobre todo o cosmos. O Messias também traria todas as nações (judeus e gentios) ao conhecimento de Deus.

Para os pastores, eles teriam notado o paradoxo de uma figura tão imensa e impactante nascendo em circunstâncias tão humildes.

Enquanto os pastores entravam no estábulo e viam a cena diante deles – um recém-nascido envolto em panos, deitado em uma manjedoura – as peças do quebra-cabeça celestial se encaixavam. O Cristo, o Messias tão esperado, estava diante deles na forma frágil de um bebê. O Senhor, cuja chegada foi anunciada por coros angelicais, agora descansava nos braços de pais terrenos. A proclamação angelical era verdadeira.

Naquele momento, a compreensão dos pastores de “Cristo, o Senhor” expandiu além das expectativas messiânicas religiosas tradicionais. O Messias que eles esperavam, o Senhor que eles reverenciavam, não era um rei conquistador envolto em roupas reais, mas um bebê vulnerável aninhado entre os animais na manjedoura. A justaposição da divindade e vulnerabilidade na cena da manjedoura deixou uma marca indelével nos corações dos pastores. Isso desafiou suas noções preconcebidas de poder e prestígio.

Os pastores, cheios de assombro, enfrentaram uma escolha crucial. Eles poderiam ficar nos campos familiares. Ou poderiam embarcar em uma jornada para a fonte dessa revelação extraordinária.

Sem hesitação, os pastores aproveitaram o momento. Eles deixaram os campos, as ovelhas e seus trabalhos com expectativa e curiosidade. Guiados pela proclamação celestial dos anjos, eles buscaram o nascido Salvador, Cristo, o Senhor. Sua busca os levou a um estábulo humilde, e lá encontraram Jesus, exatamente como os anjos disseram.

Os pastores testemunharam eventos fenomenais. Primeiro, Deus enviou anjos para lhes dar boas novas de esperança. Os anjos instruíram os pastores a encontrar o Messias como um bebê em uma manjedoura em Belém. Então, os pastores viram o cumprimento da mensagem angelical.

Os anjos não disseram aos pastores o que fazer em seguida, porém.

Os pastores, cheios de assombro, não mantiveram essa revelação para si mesmos. Transbordando de excitação, eles viajaram a Belém, proclamando as novas do nascimento do Salvador. Era o meio da noite, então provavelmente tiveram que acordar as pessoas para contar essa notícia incrível que estava se desenrolando não muito longe.

Seu engajamento ativo na divulgação da mensagem demonstrou que eles entendiam a significância – que testemunharam uma narrativa redentora que transcende o tempo e as circunstâncias.

As ações dos pastores não terminaram com sua proclamação em Belém. Eles voltaram para seus rebanhos, glorificando e louvando a Deus por tudo o que viram e ouviram. Seu encontro com o menino Jesus havia começado uma transformação neles, profética da mudança que Jesus traria ao mundo.

Nesta temporada de Natal, vamos aproveitar a oportunidade para lembrar algumas coisas importantes.

Primeiro, o evento que mudou o mundo do Natal. Deus enviou seu único Filho para estar conosco, para ser o rei de toda a criação que salva todos que nele crerem. O eterno entrou no temporal para redimir o mundo quebrado por meio da pessoa de Jesus, sua morte e ressurreição. Isso sozinho vale a pena lembrar e celebrar com louvor e adoração. Os anjos no céu irromperam em louvor com o cumprimento da profecia. Também devemos estar cheios de alegria expressiva com a vinda de Jesus!

Assim como os pastores, por meio de Cristo e da graça de Deus, recebemos uma oportunidade inimaginável para um relacionamento pessoal com o Deus de todas as coisas. Jesus está conosco em todos os momentos por meio do Espírito Santo, não apenas durante uma temporada específica.

No entanto, não termina aí. Assim como os anjos não puderam conter sua empolgação e tiveram que contar aos outros, o mesmo aconteceu com os pastores. É egoísta guardar a melhor notícia da história para nós mesmos.

Vamos tomar os pastores como modelo para levar o Evangelho às pessoas em nossos contextos locais, compartilhando com outros o que Deus fez por nós e por todos os que estão dispostos. Nem a origem, status social, riqueza ou tribo importam. As Boas Novas são para todos desfrutarem e compartilharem.

Paz.