Escrituras do Batismo de Jesus, Versículos do Batismo de Jesus, Mateus 3:13-17

Mateus 3:13-17.

Mateus nos apresentou ao nascimento e à proclamação do Rei dos reis. Ele nos conduziu pelas profecias que antecederam sua vinda e nos apresentou ao precursor que está endireitando todos os caminhos para sua aparição. Nesta seção das Escrituras, Mateus registra a proclamação celestial do reinado de Jesus, testemunhada por João Batista, Deus Pai e o Espírito Santo. O Rei chegou! Seu reino em breve estará próximo.

Vs. 13 – O versículo diz literalmente: “Então Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João.” As preposições, embora traduzidas de maneira semelhante na Versão Autorizada, são diferentes no grego. São, em ordem: APO, EPI, PROS e hUPO. Cada uma tem um sabor um pouco diferente de significado no versículo.

Jesus vem para o rio Jordão de sua casa na Galileia, onde sua família viveu a maior parte da vida de Jesus. As pessoas na Galileia conheciam Jesus e sua família (Mateus 13:55-56). O Jordão estava situado de tal forma a partir da Galileia que alguém só precisava viajar ao longo do vale até a parte do rio onde João estava batizando.

O propósito da vinda de Jesus é declarado especificamente, ou seja, “ser batizado por ele”. Jesus pretendia, ao vir a João, ser batizado. Para uma discussão sobre o modo de batismo nesse contexto, veja os comentários sobre Mateus 3:5,6.

Vs. 14 – João não queria ser aquele que batizava Jesus porque João não se considerava digno de batizar Jesus. Ele “tentava impedir” isso. Este é o tempo imperfeito. Ele é apresentado a nós como João fazendo um esforço persistente para não permitir que Jesus fosse batizado por ele. A declaração de João, nesse sentido, foi o instrumento de prevenção.

Na declaração de João, ele disse que precisava ser batizado por Jesus. João queria dizer com isso que precisava ser batizado no Espírito Santo? Ou João simplesmente queria dizer que precisava ser batizado na água atual por Jesus? Embora seja verdade que João profetizou que Jesus batizaria no Espírito Santo (vs.11), quando João se refere a esse tipo de batismo, ele especificou o meio. João não faz tal especificação aqui, deixando-nos à conclusão natural de que João estava se referindo apenas ao seu batismo na água. Em outras palavras, neste versículo, João simplesmente diz que precisava ser batizado por Jesus. Portanto, a ênfase aqui não está tanto no modo de batismo quanto naquele que está realizando o batismo. Seja qual for o modo de batismo, foi João quem precisava ser batizado por Jesus, não Jesus por João. Isso deve ser o único ponto que tiramos deste versículo.

É um grande sinal de humildade e respeito por parte de João Batista que ele reconheceu sua inferioridade a Jesus. Também é pelo menos uma razão pela qual Jesus o honrou afirmando que, antes do reino, não havia nascido entre as mulheres um profeta maior (Lucas 7:28).

Vs. 15 – A resposta de Jesus a João foi simples, mas profunda. Nesta resposta, Jesus não discorda que João precisava ser batizado por ele. Nesse sentido, Jesus não discute com João. Jesus simplesmente diz a João para permitir isso por um motivo simples: cumprir toda a justiça.

Para Jesus, o batismo de João era o “conselho de Deus” (Lucas 7:30), e assim, Jesus, embora sendo a pessoa sem pecado que era (Hebreus 4:15), não precisava ser batizado em relação aos seus pecados (como todos os outros que foram batizados por João, veja vs.6), mas apenas com o propósito de obedecer a Deus. Se Jesus não tivesse sido batizado, então ele não teria sido diferente dos fariseus (Lucas 7:30), pelo menos, em relação ao batismo de João. No entanto, Jesus, sendo o Filho obediente que era, procurou João e propôs ser batizado para completar dentro de si mesmo a vontade do Pai em sua vida (João 8:29). Os caminhos de Deus são sempre justos (Salmo 145:17). O batismo de João era parte dos caminhos de Deus (Lucas 1:15-17). Portanto, ser batizado por João era necessário para Jesus cumprir a justiça.

É interessante notar neste versículo que Jesus não diz “assim torna-se a mim”, mas sim “assim torna-se a nós.” Fazia parte do plano de Deus que João participasse do cumprimento de toda a justiça de Jesus. Jesus reflete esse pensamento em sua declaração com a palavra “nós”. Este é um verso reconfortante para aqueles a serviço de Deus. É reconfortante do ponto de vista de que, se João, em toda a sua fraqueza e pecado, pôde cumprir o propósito de Deus sendo o agente para batizar Jesus, assim também o restante de nós, em toda a nossa fraqueza e pecado, pode cumprir o propósito de Deus

para nossas vidas no papel que Deus espera de nós. Deus exige que o sirvamos em tudo o que fazemos (1 Coríntios 10:31). Não é a ocasião rara em que nos sentimos indignos de fazer as coisas que Deus espera de nós. No entanto, isso não impediu Deus de esperar que João fizesse seu trabalho. Da mesma forma, isso não impedirá Deus de esperar que façamos o nosso. E quando fazemos o que Deus espera que façamos em Seu serviço, então também podemos cumprir nosso propósito no plano de Deus. Como João, precisamos estar dispostos a nos submeter ao Senhor nesse sentido. Precisamos ser como João em vez de ser como o homem de um talento, que, apenas focando em seus fracassos, não pôde pegar nenhuma das habilidades que Deus lhe deu e fazer algo com elas a serviço de Deus (Mateus 25:14-30).

Este verso também derrota para sempre a desculpa frequentemente citada: “Ninguém é perfeito.” Bem, e daí se você não é? Isso não significa que Deus não espera que alguém viva da maneira que deve viver. Jesus não permitiu que João usasse tal desculpa para não fazer a vontade de Deus. Por que deveríamos esperar que Ele aceite a mesma desculpa de nós? Não, a desculpa “ninguém é perfeito” não vai funcionar no Dia do Juízo.

Tanto Jesus quanto João “cumpriram toda a justiça” neste versículo, cada um fazendo o que Deus esperava que ambos fizessem. Quando nós, em nossas vidas, fazemos o que Deus espera que façamos e nos submetemos à Sua justiça, então também podemos ser contados como justos diante de Deus (Romanos 10:3), não apenas porque nosso fazer constitui justiça, mas porque Deus disse que seríamos justos se e quando fizermos Sua vontade (1 João 3:7).

Vs. 16 – Depois do batismo de Jesus, ele literalmente saiu da água. O modo de batismo que João usava é claro. Era imersão.

Os céus se abriram para Jesus na medida em que aqueles que habitam o céu (Isaías 66:1) testemunharam sobre Jesus imediatamente após seu batismo.

Muito foi feito deste trecho, especialmente em relação ao papel do Espírito Santo. Também devemos notar que foi o Espírito de Deus que desceu sobre Jesus aqui, não uma pomba. A pomba foi a forma ou figura que o Espírito tomou. Não precisamos pensar nisso como algo mais do que um testemunho divino de que Jesus era, de fato, Filho de Deus.

Alguns sugeriram que, antes deste ponto, Jesus não tinha o Espírito Santo. Tal sugestão negaria a divindade de Cristo. O Espírito Santo fazia tanto parte de Jesus antes deste ponto quanto depois. No entanto, isso não significa que o Espírito não pudesse se manifestar de alguma outra forma. Ele é onipresente e compartilha de todos os atributos de Deus (Salmo 139:7-12).

Vs. 17 – As palavras faladas neste versículo seriam repetidas novamente na transfiguração, conforme registrado por Mateus (17:5). Que palavras maiores alguém poderia esperar de seu pai? Quanto mais grandiosas são elas quando vêm do Pai Celestial? O Pai estava bem satisfeito com Jesus porque Jesus sempre fazia as coisas que O agradavam (João 8:29).

O Pai, o Filho e o Espírito Santo estão todos presentes neste trecho. A Bíblia realmente ensina a doutrina da trindade. É um artigo de fé que devemos aceitar como verdadeiro, já que nossas mentes finitas simplesmente não conseguem compreender a totalidade do conceito. Mas se podemos acreditar que um triângulo tem três lados, cantos e ângulos e ainda assim acreditar que seja uma única forma, certamente podemos aceitar que a Divindade é composta por três “pessoas” e ainda assim é um só Deus. É em Jesus que a plenitude da Divindade veio habitar em um corpo humano (Colossenses 2:9). Não apenas o Espírito Santo habitava em Jesus