A Escravidão Do Pecado | Estudos Bíblicos Teológicos Evangélicos

Todos os homens são pecadores (sujeitos à escravidão do pecado), independentemente de ações, nacionalidade e condição social.


“Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” (Romanos 6:7).

Introdução

Apesar de Jesus ter estabelecido que ‘aquele que pratica o pecado é escravo do pecado’, em meio aos cristãos ainda não é compreendido no que consiste ser escravo do pecado.

“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.” (João 8:34).

Bastaria estender uma faixa em um cruzamento da cidade com o enunciado: “Pare de pecar”, para conscientizar as pessoas? O enunciado: “Pare de pecar” tem por objetivo coibir vícios, ou evidenciar a condição de sujeição ao pecado?

É comum mensagens ditas evangelísticas apontarem para pessoas famosas como Elvis Presley, Katy Perry, etc., como talentosas, mas que sucumbiram destruídas pelo vício, e arrematam: – “Libertem-se da escravidão do pecado! Abandone o erro!”, e citam um versículo muito conhecido para embasar o que afirmam: “Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Mateus 9:13).

O que a Bíblia diz acerca do pecado? É um desvio moral? Um erro comportamental? Ou é uma condição que afeta a natureza do homem?

Analisemos as Escrituras!

 

Parem de pecar!

Uma faixa estendida por alguns jovens em um cruzamento de uma grande cidade estampa um pedido aos ocupantes de veículos que circulavam pela via: “Parem de pecar!”, em letras enormes.

Diante de tal iniciativa, não pude deixar de considerar: será que esses jovens desconhecem que o que estão pedindo é impossível aos homens? Será que não compreendem que pecar é algo próprio aos servos do pecado?

Certo desalento me atingiu. Era evidente que aqueles jovens estavam fazendo um apelo de ordem moral, visando o que é próprio as muitas correntes filosóficas existentes que visam melhorar o comportamento humano.

Quem os instruiu, instruiu mal. Eles estavam se comportando como os escribas e fariseus, pois se preocupavam em limpar o exterior do copo e do prato, e não cuidavam que o problema está no interior no interior, cheio de rapina e iniquidade.

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade.” (Mateus 23:25).

E aqui levanto três questões:

  1. Um servo do pecado pode deixar de pecar?
  2. Jesus exigiu de Nicodemos que deixasse de pecar?
  3. Uma pessoa virtuosa não é pecadora?

 

Um servo do pecado pode deixar de pecar?

Um servo do pecado não consegue deixar de pecar! Fazer um apelo a um pecador para que deixe de pecar é inócuo. E aqui precisamos de mais algumas considerações.

Um escravo do pecado, seja ele virtuoso ou dissoluto, está fadado a pecar. Essa é a condição do homem sujeito ao pecado. Não importa se dedicado e compromissado com os mais nobres valores morais e que se comporta descentemente com base em sua razão e/ou consciência, um escravo do pecado está fadado a errar o alvo (pecar), mesmo que não queira pecar.

A Bíblia é clara: todos os homens que vem ao mundo são servos do pecado pelo fato de descenderem de Adão. Pela ofensa de um só homem que pecou, Adão, todos os seus descendentes foram feitos pecadores.

A Bíblia não diz que todos os homens pecaram porque fizeram coisas inconvenientes, antes que todos pecaram porque a morte, a condenação decorrente da ofensa, passou a todos os homens.

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” (Romanos 5:12).

Se o que torna o homem pecador é a morte que passou a todos os homens, como ser livre do pecado e da morte? Como se livrar da morte (condenação decorrente da ofensa), que é o que sujeita o indivíduo ao pecado?

“E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.” (Hebreus 2:15).

Para se livrar do pecado e da morte bastaria deixar de praticar coisas inconvenientes, reprováveis segundo a moral humana? Não! Portanto, não basta dizer ao pecador: – “Pare de pecar”!

Se o pecador pratica coisas inconvenientes ou não, uma coisa é certa: o salário do pecado é a morte! (Romanos 6:23). O problema do pecado nunca foi e jamais será o comportamento humano, e sim, o fato de ter entrado no mundo por uma porta larga: Adão.

Adão é a porta larga que todos os homens acessaram ao vir ao mundo, e independentemente de suas ações, condição social, nacionalidade, etc., estão em um caminho largo que os conduz à perdição.

Há uma solução para os servos do pecado? A única coisa que livra o homem do senhorio do pecado é a morte! Por isso é dito pelo apóstolo Paulo:

“Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” (Romanos 6:7).

Só quem está morto está livre do pecado! Semelhante, considerando o domínio da lei, à mulher que só será livre da lei do marido quando ele morrer.

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.” (Romanos 7:2);

“O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56).

O evangelho de Cristo não é uma filosofia de vida moralizante, pois o que se requer do homem é que morra para o pecado para que possa viver para Deus.

Daí a ordem: – Circuncidai o prepúcio dos vossos corações! O que isso significa? Qualquer incisão no coração representa morte!

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz.” (Deuteronômio 10:16).

Ora, os judeus faziam a circuncisão do prepúcio dos filhos ao oitavo dia, o que atingia somente os homens. Mas, a circuncisão do coração é algo impossível aos homens! Como circuncidar o coração? Bastava dar ouvidos a palavra de Deus, pois Ele se propunha a circuncidar a todos que se fizessem seus filhos!

“E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas.” (Deuteronômio 30:6).

Se era necessário Deus circuncidar o coração aos filhos de Israel, isso significava que eles não eram filhos e que não estavam vivos! (Deuteronômio 32:5). Os filhos de Israel não compreenderam que precisavam confiar na palavra de Deus, pois não é de pão que o homem vive, e sim, da palavra de Deus.

“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem.” (Deuteronômio 8:3).

 

Jesus exigiu de Nicodemos que deixasse de pecar?

Quando Jesus evangelizou Nicodemos, instruiu o mestre fariseu a deixar de pecar? Não! E como é possível alguém que se diz discípulo de Cristo anunciar uma mensagem que Ele não ensinou?

Qual foi a mensagem de Cristo?

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3).

Só pode ver o reino de Deus aquele que nasce de novo! E esse também foi o alerta que Jesus fez à multidão ao pé da montanha:

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:20).

Ora, os escribas e fariseus representavam o melhor da religião judaica. Do ponto de vista comportamental, os escribas e fariseus se portavam tão bem que eram considerados justo pelos homens.

“Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” (Mateus 23:28).

Ao conclamar transeuntes a pararem de pecar, o que se pretende? O que aqueles jovens entendem por parar de pecar? Que as pessoas tem um comportamento a altura de certo fariseu?

“O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.” (Lucas 18:11).

Nicodemos era um desses fariseus, que não se portava como muitos homens, pois na condição de mestre do judaísmo não matava, roubava, adulterava, etc. Mas, apesar de não fazer o que era próprio aos demais homens, se Nicodemos não nascesse de novo, não podia entrar no reino dos céus! A multidão, por sua vez, se tentasse se portar altura dos escribas e fariseus, também estava fadada a não entrar no reino dos céus.

Isso significa que ninguém nascido de mulher pode ver o reino de Deus se não nascer de novo! E como nascer de novo? Voltar ao ventre materno? Mudar o comportamento? Mudar de religião? Não!

Nascer de novo é entrar por Cristo, a porta estreita! Cristo é o último Adão, e para ser conduzido por Cristo a Deus, o caminho que conduz a Deus, é imprescindível nascer de novo!

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13-14).

Como Cristo não entrou nesse mudo por Adão, é dito que muitos entram pela porta larga, e não todos. E como são poucos que creem em Cristo, são poucos os que entram pela porta estreita.

Mas, para nascer de novo, primeiro é necessário morrer! Sem estar livre do pecado é impossível nascer de novo, e por isso, primeiro é necessário morrer!

O processo é simples:

“E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne;” (Ezequiel 11:19);

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.” (Ezequiel 36:25-27).

Se o coração de pedra não for arrancado, não é possível alcançar o coração de carne dado por Deus. Sem o coração dado por Deus não é possível ter a palavra (espírito) de Deus no interior, o que efetivamente impede alguém de pecar!

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.”  (Salmos 119:11);

“E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis.”  (Êxodo 20:20).

O apóstolo Paulo fala da morte que traz vida:

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” (Romanos 6:3-7).

Essa morte também é chamada de circuncisão de Cristo:

“No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,” (Colossenses 2:11-13).

Sobre a necessidade de morrer com Cristo, devemos considerar algumas passagens bíblicas:

“E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.” (Mateus 10:38);

“Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.” (João 6:53).

Tomar a cruz, comer a carne e beber o sangue evidencia a necessidade do homem em morrer com Cristo, pois só assim alcançará vida dentre os mortos.

 

Uma pessoa virtuosa não é pecadora?

O que define uma pessoa como pecadora?

Os judeus achavam que os gentios eram pecadores! Igualmente consideravam que um judeu, pelo fato de coletar impostos a serviço de Roma, também era pecador.

“E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” (Lucas 5:30).

Os seguidores do judaísmo consideravam que não eram pecadores pelo fato de serem descendentes de Abraão, e João Batista deixou claro que não era bem assim.

“E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mateus 3:9).

Para o judaísmo, se alguém desejava deixar de ser pecador, primeiro tinha que se tornar um prosélito, submeter-se à circuncisão no prepúcio da carne e passar a seguir as ordenanças da lei.

Jesus contraria esse ensinamento, dizendo:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” (Mateus 23:15).

Para o judaísmo, o fato de ser um estrangeiro ou forasteiro era o mesmo que ser um pecador. Não importava se era um estrangeiro piedoso, com bom comportamento, o fato de não ser pertencente a comunidade de Israel era o que definia alguém como sujeito ao pecado.

Nesse bojo se enquadrava os publicanos, judeus que tinham a incumbência de cobrar impostos dos judeus a serviço de Roma. Mesmo sendo descendentes da carne de Abraão, os publicanos eram considerados pecadores por cobrarem impostos de seus concidadãos.

Observe a contradição: inicialmente os estrangeiro e peregrinos eram considerados pecadores, mas mesmo um concidadão, por causa de um comportamento, passou a ser incluso no rol dos pecadores. Dai a questão: ser pecador é condição de berço, ou é determinado pelo comportamento?

Por sua vez, o judaísmo define como pecado condutas que violem a lei Judaica, ou a lei mosaica, o que não se refere necessariamente a uma falta moral. Uma falta moral não seria pecado se não contraria uma disposição da lei.

O judaísmo não acredita no pecado original, ou seja, o evento que trouxe condenação sobre toda humanidade. Não consideram que o pecado é uma condição de berço, e não de comportamento.

Não consideram que os ímpios se alienaram de Deus desde o ventre, e desde que nascem andam errados e prosseguem mentidos.

“Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras.” (Salmos 58:3).

Embora se julguem descendentes de Abraão, se esquecem que o primeiro pai dos judeus foi Adão, e o profeta Isaias protesta contra os judeus que os interpretes deles se equivocam.

“Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim.” (Isaías 43:27).

Pecador é uma condição do ser, e não de ato. O judaísmo desconsidera que a carne de Abraão não torna ninguém filho de Abraão, pois se assim fosse Ismael e Esaú deveriam ser contados como herdeiros da promessa.

Quando Deus deu a promessa a Abraão, não vinculo a pessoa de Isaque, e sim, no descendente que haveria de vir ao mundo, tanto que ao nascerem Esaú e Jacó, foi dada nova promessa: ‘o maior servirá o menor’. Se a promessa ‘Por este tempo virei, e Sara terá um filho’, determinasse que a filiação de Abraão seria por sangue, certo é que não seria necessário a nova promessa: ‘o maior servirá o menor’, de modo que Esaú mesmo sendo sangue de Abraão acabou rejeitado (Malaquias 1:2-3; Romanos 9:8-13).

Do ponto de vista social, apelar para as pessoas serem melhores do ponto de vista moral e comportamental é até válido. Mas, do ponto de vista da salvação, não!

Uma pessoa virtuosa, diante de Deus é pecadora e em igual condição que uma pessoa cheia de vícios. Da mesma forma que o melhor reto e o mais reto dos filhos de Israel eram considerados, respectivamente, um espinho e uma cerca de espinhos, diante de Deus não há diferença entre o melhor e o pior dos homens.

“O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão.” (Miquéias 7:4).

Nicodemos, representado o melhor da religião, do comportamento e da moral humana precisava nascer de novo, e a mulher samaritana, representando o pior da religião, da moral e do comportamento humano, precisava beber da água da vida.

Deixar práticas reprováveis do ponto de vista da moral ou da religiosidade não é deixar de pecar. Só é possível deixar de pecar quando se morre para o pecado! Não importa se uma pessoa é virtuosa ou cheia de vícios, se é serva do pecado não é livre, e por isso, peca.

É por isso que Jesus disse a alguns judeus:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:32-36).

E por que os judeus eram servos do pecado e permaneceram naquela condição? Porque não reconheceram que eram ‘cegos’!

“E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?  Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.” (João 9:39-41);

“Trazei o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que têm ouvidos.” (Isaías 43:8).

Basta verificar que Jesus foi enviado primeiramente a casa de Israel, e dentre os filhos de Israel havia os escribas e fariseus, homens de caráter e comportamento louváveis. E mesmo assim é dito:

“Não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.” (Mateus 9:13);

“E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.” (Mateus 15:24).

Ao anunciar: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17), Jesus estava denunciando que não havia justos em Israel, ou seja, eram pecadores que precisavam mudar a concepção de como serem salvos.

E o profeta Jeremias já havia denunciado que a condição de Israel era pior do que a condição de Sodoma e Gomorra:

“Percorram todas as ruas de Jerusalém em todas as direções! Procurem em todos os cantos e vejam se podem encontrar um só homem reto e honesto! Procurem em cada largo, em cada cruzamento e, se conseguirem encontrar um só que seja, eu não destruirei a cidade! Embora digam: ‘Tão certo como vive o Senhor, eles são capazes de mentir.’ ” (Jeremias 5:1-2).

Deixar de pecar não é mudar comportamento, e sim, deixar de viver para o pecado, morrendo com Cristo.

 

Desafio para o evangelismo

A Bíblia contém dois exemplos grandiosos de evangelismo: Nicodemos e a Samaritana. Em ambos os casos, Jesus não se focou no comportamento e na condição social das pessoas.

O primeiro passo ao evangelizar é não se focar no comportamento das pessoas!

Há, vou evangelizar aquela pessoa porque ela cheia de vícios.  

Jesus veio salvar todos os homens, sem distinção de comportamento, condição social ou nacionalidade. Homens, mulheres, crianças e velhos precisam de Jesus! Pobres, ricos, famintos, abastados, estrangeiros, peregrinos, etc., precisam de Jesus.

Atualmente quando se fala em evangelismo, o primeiro pensamento dos cristãos é que precisam sair as ruas em busca de pessoas transviadas, viciadas, desorientadas, sem perspectiva, etc., como se só elas precisassem de Jesus.

Não! O evangelho deve ser anunciado a grandes e pequenos, ou seja, nobre e vis.

Além de se equivocarem quanto ao público que se destina o evangelho, há um equivoco com relação a mensagem a ser anunciada.

Mensagens como: – “Jesus te ama”; – “Pare de pecar”; – “Jesus é a solução”, etc., não reflete a grandeza e não contém o poder do evangelho.

Ao evangelizar, o quesito de maior valor é a ‘semente’, ou seja, a mensagem que está sendo divulgada. Uma mensagem que não atende essencialmente esses quesitos, não é evangelho:

  • Todos os homens são pecadores (não há diferença), independentemente de ações, nacionalidade e condição social;
  • É necessário admitir que Jesus de Nazaré é o filho de Deus enviado como salvador dos homens;
  • É necessário crer que Jesus foi crucificado, morreu e ressurgiu pelo poder de Deus.

Em resumo:

“… esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.” (Romanos 10:8-12).

O objetivo de quem evangeliza é anunciar as virtudes, o poder, de Cristo, pois é Ele quem chamou os homens à sua luz.

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; (1 Pedro 2:9).

Se vai evangelizar, fale das virtudes de Cristo, ofereça água viva, aponte a necessidade de nascer de novo, evidencie que é necessário entrar por Cristo, etc., mas jamais se centre no comportamento, na condição social ou na origem da pessoa.

Evidencie a pessoa que o motivo do arrependimento não são seus erros cotidianos, mas Cristo, o reino dos céus. O motivo dos ouvintes de Jesus terem que se arrepender era a chagada d’Ele, e não o que faziam no cotidiano.

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17).

A mudança de compreensão (metanoia/arrependimento) dos ouvintes de Jesus exigia muito deles, pois tinham que abandonar os seus conceitos que aprenderam dos seus pais para poderem crer no evangelho.

“E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Marcos 1:15).

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;” (Atos 2:38);

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do SENHOR,” (Atos 3:19).

Arrepender-se, tradução do termo metanoia, demanda abandono de uma concepção à luz do evangelho, o que resulta em conversão, ser batizado em Cristo. Somente após ser batizado na morte de Cristo, que os pecados são apagados (perdoados).

 

Fonte: Estudo Biblico.org